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percurso

5 de setembro de 2016

tenho que correr. não posso me atrasar. eu me prometi que agora seria diferente. as luzes desta cidade sempre me fazem lembrar porque eu gosto daqui. sou privilegiado. tem sempre alguém pra atrapalhar nosso caminho. não. preciso pensar positivo. tem gente sem pressa nessa cidade. não precisava estar sem pressa na minha frente. gosto demais daqui. sentia tanta falta de estar aqui. sempre sonhei em fazer parte dessa vida. sonhei a vida que vivo hoje e hoje nem gosto tanto assim. a humanidade é uma eterna insatisfação. i can’t get no satisfaction. é engraçado. minha bateria tem que durar até eu chegar em casa. tenho medo de morrer atropelado. morrer aos poucos. ou morrer de repente, sem saber que morri. preciso de água. aqui tá tocando música. e tem mais luzes. que bela vista pra cidade. gosto tanto daqui. queria poder parar, respirar. ficar entre iguais. aqui somos todos diferentes. caetano. são paulo em cheio nas luzes da bahia tudo de bom e ruim era o fim é o fim mas o fim é demais também odeio você odeio você odeio você odeio. como eu gosto dessa música. queria ficar aqui. por que preciso seguir esse roteiro que me escreveram. odeio odeio odeio. preciso ser positivo. um dia eu faço o que eu quero. mas hoje não é o dia. me prometi. eu vou. gosto de homens de social. a calça social valoriza a bunda masculina. não tem parte mais bonita de um corpo do que a bunda. a bunda de um homem. lugar tão proibido e onde me descubro. esta bunda na minha frente – eu poderia casar com ela. eu queria ser feliz com alguém. mas não quero ninguém. eu até quero. mas ele não me responde. é a vida. preciso correr. já tá tarde. não quero descumprir a promessa que me fiz. respeitar a sinalização de trânsito é o atraso da vida. deveria saber calcular melhor meus horários. jurava que dava. mas não deu. queria que tudo desse. é estranho como são paulo combina tanto com caetano. ou o contrário. entre chico e caetano, prefiro caetano. eu comeria o caetano. como a adriana calcanhotto escreveu. pela frente pelo verso vamos comê-lo cru. queria a segurança e a calma de ser mais velho. o que atrasa os passos de uma pessoa de idade deve ser o passado. é. o passado é impossível de carregar com pressa. tô tão cansado. não queria ir. mas me prometi. o caminho até em casa é tão mais rápido. e certo. mas eu me prometi. preciso pegar aquele ônibus. espero que não esteja cheio. can i get a window seat don’t want nobody next to me. baduh. se tivesse tempo sobrando iria ao shopping. preciso mijar. tô tão atrasado. fodido. vou chegar tarde demais. não queria viver assim. correndo. chegando sempre tão tarde. me prometo chegar. mais uma vez não me cumpro. mas eu vou chegar. mesmo que tarde. eu vou. esse ônibus demora tanto pra passar. poucos jovens de mochila. talvez o ônibus tenha acabado de passar. um dois três. respiro. não adianta me apressar. já cheguei até aqui só falta o ônibus também chegar. é. eu me prometi ir. eu vou. vou ser fiel a mim. mesmo quando a promessa é por culpa do outro. eu mando em mim. mas eu queria estar em outro lugar.

 

Raphael Granucci Pequeno

 

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