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Batom esquecido (Borrocado)

19 de abril de 2015

sobra espaço no armário

do banheiro e do quarto

no meu colchão

entre os meus braços

 

vai preenchendo

a falta que fica

fazendo frio, facas afiadas e atiradas a mil

 

no espelho do elevador

observo as marcas de quem sofre sem doutor

(existe cura pra mal de amor?)

 

e então encontro lembranças concretas

peças do passados, em suas cores prediletas

a falta se faz tão incerta

quando posso me lembrar do que era estar perto

pintado por seus sonhos e luxúrias

 

o batom, no espelho,

um tom entre roxo e vermelho,

salta às vistas, corte e arde o peito

é o sangue que deixou

escorrer na pia, na latrina, no chuveiro

 

mas já não importa

 

eu tranco a porta

borroco a mim com o que ficou

vou me pintando ao seu modo

acreditando que estou mais perto

enquanto o batom passa pelos meus lábios

vou sentindo os seus

um último beijo

antes da cor acabar

antes da vida terminar


Raphael Granucci Pequeno

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