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Escafandro

12 de abril de 2015

noite fria de outono

os amigos conversam e riem

mas meus olhos se perdem pelos cantos

e o gim não me aquece

 

o coração já não esquece

estou sempre só com os desencantos

enquanto os pensamentos confundem

e eu por fim perco o sono

 

mergulho fundo no copo

é o gim com gelo ou minhas mágoas

não sei dizer onde me afogo

buscando afago no fundo do copo

 

e viro a bebida

como se fosse encontrar você

ali no fundo do copo

você sobre meu corpo

 

e então

como era de se esperar

no fundo do copo

estou só eu – meu reflexo

 

já não sei onde estou

o que os amigos dizem

já não sei o que dizem

mas entendo que é tudo em vão

 

e quando todos vão

sou só eu de novo

não muito diferente do que toda a noite

todas as noites, todos os dias

 

se eu pudesse escolher

não mais me afogaria

em copos e outras bebidas

mas em ti, minha vida

 

não abraçaria nunca mais

sanitários e outras sarjetas

seria tu minha Bwana

e eu seria para ti tudo

 

mas é no fundo do copo

ou no fundo de mim

que desço para me esconder

e a verdade esquecer

 

você não está aqui

nosso amor foi sepultado vivo

e meu corpo segue sentindo a falta do seu

embebido em álcool, nosso amor jazz em mim


Raphael Granucci Pequeno

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