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Palavra perdida

19 de novembro de 2014

De repente, não mais que de repente

a palavra vem e rima na ponta da língua

De repente, sonora e incongruente

fere a memória, torna-se ausente

não está no travesseiro – que suporta o peso de sonhos

nem na geladeira – que mantém o corpo abastado e abastecido

 

De repente, o que era pedra é fumaça

 

A música tocada já não faz sentido

uma vez no ouvido, já teve utilidade

ilumina a cidade e incita a Loucura

De repente não é – mais nada

 

Pedestres passam. Carros passam. Borboletas voam.

Voar é viver da maneira correta

a ausência de correntes prende o ser à alegria

ninguém é feliz até ter a noção de se estar triste. Ninguém é feliz.

 

A noite já vem e preciso dormir

 

De repente, não mais que de repente

o escuro vem rimar as estrelas

na ânsia de tê-las, jamais esquecê-las

De repente, ela chega

por uma fração de eternidade está comigo

até não estar

não mais que de repente,

De repente

Raphael Granucci Pequeno

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