h1

Carta para São Paulo

26 de setembro de 2014

São Paulo, 26 de setembro de 2014

 

Cheguei ao meu limite. Depois de implorar por carinho, imploro apenas por um tempo afastado de você para me encontrar.

Não vou negar que tivemos uma bela história. Por diversas noites me perdi em seu corpo, bebi dos seus pecados, me vesti com as suas falhas. Mas hoje meu amor parece surrado e suado, enquanto você, frígida, me deixa com sede, clamando por um copo de água, um banho longo gelado sem a ideia de que estou te perdendo.

Nossa história linda não é o suficiente pra me manter aqui por mais um segundo sequer. Aliás, essa história nem é tão linda assim. Por muito tempo passei dias e dias acordando cedo, percorrendo suas distâncias, apenas para ter o direito de dizer que você era minha e que eu era todo seu. E você, o que fazia?

Por sua culpa estava sempre atrasado. Sempre cansado. Sempre exprimido. Agora, estou esgotado.

Você, aquariana, me prometia uma vida livre, sensual, revolucionária. Hoje vejo que me escondeu seus verdadeiros amigos: aqueles que julgam tudo aquilo que não está nas Escrituras. Será que eles sabem ler o que está nas Escrituras? Você deixou que construíssem um templo para sujar da maneira mais limpa possível a sua imagem. Espero que você aprenda com seus antepassados e derrube essas paredes abaixo. Essa não é a sua cara. Você está tão perdida quanto eu.

Você até finge que aceita minhas duas rodas não motorizadas, mas é só seus amigos me julgarem, que logo volta atrás. Você avança e recua. Deixe de Marinar!

Achei que amasse sua versão negra e cinza, mas a verdade é que sinto falta de outras cores. Do verde que não permite e do vermelho que não me pára. Hoje mesmo demorei mais de três horas para chegar em casa porque você resolveu mais uma vez brincar com o meu tempo. Meu tempo não te pertence. Aliás, eu já não te pertenço também.

Abri meus olhos para o mundo. Quero sim flertar com outras por aí. Me perder em outras curvas, outras cavidades, outros cafofos. Sentir o suor salgado daquelas que ousam viver nas praias do mundo. Deixe-me ir.

Eu, que sempre me orgulhei de minha monogamia, hoje vejo que estive errado. Deveria ter corrido para longe, fosse para o continente, fosse para o mar. Quando desembarquei do avião em outro lugar pela primeira vez, não deveria ter voltado. Voltei porque sentia sua falta e de tudo que você supostamente guardava enquanto me esperava. Você não me esperou. Foi caminhando, ora para frente, ora para trás. Até mesmo para os lados.

Assumo, eu também mudei. Já não sou o garoto deslumbrado que você conheceu, estou buscando algo que seja uma essência – que mal posso sentir aqui, onde a fragrância da fumaça, seja dos cigarros ou de seus carros, me impede de respirar.

Vou retirar dos meus contatos a Rita e até mesmo o Caetano, pois não quero me comiserar enquanto estiver bem longe. Sim, talvez um dia eu volte, mas eu preciso esquecê-la. Espero que, quando eu voltar, você já não mais me odeie. E talvez ainda possa me receber com o amor que um dia costumávamos ter.

Termino por aqui. Não quero magoá-la do jeito que você me magoa, triturando meus sonhos e machucando minha alma. Sou jovem e vou me recuperar. Você é madura, mas ainda falta amadurecer. Não quero ser conservador (por sua influência, aliás), mas depois de tanto tempo está na hora de parar de repetir os mesmos erros. Por isso, estou caindo fora, para aprender novos.

 

Partindo, com um coração partido,

Raphael Granucci Pequeno

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: