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liberdade desonesta

21 de julho de 2014

abre a porta e vai

 

leva as suas coisas

não deixe nada

nem camisa

nem pijama

nem escova

nem cueca

 

não deixe lembranças

doces ou amargas

 

apaga seus rastros

da minha casa

do meu quarto

do meu peito

 

o caminho da morte

não tem retorno

 

se cavou uma sepultura

deixe a vela chorar

até a chama não mais existir

 

corte as cordas

solte os laços

desate os nós

 

minha cama já não é seu lugar

minha vida já não se divide

 

eu o expulso à vassouradas

quebro pratos, jogo nosso passado na rua

queimo fotos, cartas e recados

estouro bexigas, desinflo paixões

 

você implora um perdão

pede um retorno

vai embora, promete voltar

afinal, “aqui sempre foi seu lugar”

 

mas não se esforça o bastante pra ver que nem a fechadura eu troquei

meu não é a desculpa para a sua liberdade

 

Raphael Granucci Pequeno

 

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