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Congestionamento

16 de outubro de 2013

Ruas desertas de alma e cheias de matérias geladas

esburacadas, quebradas, lombadas, saltadas

asfaltadas, ordinárias, assaltadas.

O farol só tem três cores e a vida só acontece no vermelho.

O freio de mão para uma ligação, o rádio para uma canção,

milhões de seres humanos para sentir apenas uma solidão.

A chuva de mágoas potáveis translúcidas e burras

inundam a cidade já afogada no próprio desespero.

Calor do motor, carburador carburado concentrado na combustão

novo big bang, que gera planetas, cometas, cosmos sobre rodas.

Rodas que não rodam e indicam vidas que não se cumprem.

O caminho é feito de nãos, e um talvez para os finais de semana.

Rodízios, radares, rondas, patrulhas são cordões umbilicais

algemas substitutas usurpando o direito à liberdade.

O velocímetro é a ceia rica numa vitrine do subúrbio.

O homem inveja a liberdade no voo dos pássaros,

mas constrói gaiolas ao invés de asas.

 

Raphael Granucci Pequeno

 

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