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Poemas desperdiçados

9 de setembro de 2013

Meu coração, tão simples, já foi bem mais

rascunhado do que qualquer outro papel.

Gravava nele nomes, cheiros e lugares

como se ali morassem sem pagar aluguel.

 

Faziam de mim suas moradias quase eternas,

e eu sempre tão confortável para recebê-las.

Mas tais pessoas me tratavam como um hotel

que parecia nunca ter suficientes estrelas.

 

E cada carta parece ter sido escrita em vão

para aqueles que nunca mereceram minha atenção.

Poemas que, se pudesse, um dia eu rasgaria,

– mas que besteira!, não se mata poesia.

 

E também não se mata sentimentos verdadeiros,

portanto, nada daquilo pode ser considerado real.

Pessoas são tão perecíveis quanto flores,

amores que dão porém sempre chegam ao final.

 

Por vezes quase me arrependo de tê-los escrito,

pois são poemas que durarão bem mais

do que qualquer uma das coisas ditas naqueles dias

em que nos jurávamos encontrar um no outro a paz.

 

Então paro e penso, sempre comigo mesmo –

mais ninguém – que sutilezas eternas, as quais faço,

são um presente ao passado e ao futuro de outrem,

para que assim evitem o mesmo meu cansaço.

 

Que não precisem escrever novas poesias para novas pessoas!

Pois pessoa nenhuma é nova, e todas farão do mesmo jeito.

Não percam tempo criando poesia, meus garotos, porque todas

terminarão com decepção e um aperto no peito.

 

Raphael Granucci Pequeno

 

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