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Epístola

10 de novembro de 2012

Para Marina Haussauer

São Paulo, 09 de novembro de 2012

 

Marina,

 

Por muitas e muitas vezes nos deparamos na vida com coisas que não sabemos compreender. São impulsos que nos levam a lugares que às vezes não gostaríamos de estar e outras vezes é exatamente o lugar em que sempre sonhamos chegar. Entretanto, nem tudo é calmaria.
De leves desconfortos e incômodos até grandes inquietações podem nos dar a vontade de desistir. Até mesmo querer voltar ao começo e seguir por um outro caminho, diferente do que vínhamos trilhando.
Quando busquei compreender o esoterismo, me deparei com um item que me chamou muita atenção. Na bruxaria se diz que a cada grande escolha, a pessoa passa pelo “período negro da alma”, onde a vida ou o Universo impõem dificuldades, uma maneira de preparar ou selecionar os merecedores. Existe uma música ainda que diz “piso as duras pedras pra chegar no mar”.
Acredito que os sonhos estejam permeados dessas duras realidades.

Ressalto então a necessidade do auto-conhecimento. Conhecer a si mesmo é algo difícil, trabalhoso e amedrontador mas, sobretudo, é o único modo de realmente escolher seu caminho.

Obviamente, há grandes chances de errar também. Mas são os erros que constroem qualquer conhecimento. Colocar suas teorias em prática é o único modo de saber se elas são válidas ou não e livrar-se delas caso não tenham utilidade. Emoções e pensamentos pesam na alma, então devemos aprender a deixar ir embora aquilo que não pode nos ajudar.

Conhecendo a si mesma e vencendo o medo de errar você conseguirá definir o que você realmente quer ou espera e lutar por aquilo. E quando o “período negro da alma” chegar, você saberá se as dificuldades e o desânimo que vier serão motivos fortes o bastante para fazê-la desistir de seus sonhos ou não. Se é que eles realmente eram sonhos.

Acredito que nestes últimos meses vi cada um de vocês entrarem em contato com coisas novas que marcaram a definitiva passagem de uma fase a outra. Muitas vezes a saudade vai bater e o desejo de voltar vai ser incontrolável. Algumas vezes vocês voltarão, mas se eu pudesse dar um conselho, seria: voltem apenas quando tiverem a certeza que ali não é mais o lugar de vocês. O peso de querer se prender ao passado pode fazê-los não notarem a dimensão que vocês tomaram, e que agora só cabem no presente. Dói perceber isso quando você insiste em voltar e vê que ali já não é mais seu lugar.

É lógico que algumas coisas levamos conosco. Memórias, histórias, amigos e sentimentos. Mas a segurança já se foi, o chão a pisar é novo e os erros serão outros porque as oportunidades serão outras.
Você já é uma grande pessoa e uma pessoa grande com toda a capacidade para enfrentar o mundo. Porém, continua sendo humana. Momentos de “franqueza” não devem ser confundidos com momentos de “fraqueza”. Quando se sentir triste ou incapaz saiba que é seu lado humano pedindo para se encontrar com sua própria dimensão.

E as experiências do passado estarão  sempre com você dando base para o futuro.
Não tenha medo de olhar para trás, mas entenda que esse passado só existe porque você teve a capacidade de seguir em frente.

O futuro que você esperou já está virando o presente. Não tenha medo de fazer dele o que você sempre quis.

Muita sorte e conte comigo para ajudá-la sempre que precisar.

 

Com amor,
Raphael.

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