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O pão

5 de setembro de 2012

O alimento primordial

está servido à mesa.

Para consumi-lo, basta possuí-lo,

não há nenhuma surpresa.

 

Ele está estático,

à sua espera.

Para transcender a fome

coma-o como a Quimera.

 

Abra-o com cuidado,

para não machucar a beleza

deste momento delicado

cheio de sutilezas.

 

Prove de sua pele

macia e quase morena.

Sinta o calor interno,

uma temperatura amena.

 

Mas não deixe que a delicadeza,

impeça-o de comer até o fim.

A gostosura está em satisfazer

a fome e a vontade de comer.

 

Coma com os olhos,

Com a boca e os ouvidos.

Sacie seu desejo voraz,

envolvendo todos os sentidos.

 

Ele recebe sua língua

com todo o merecido conforto.

Receba-o em si

como um navio ao chegar o porto.

 

Ele esperava por este momento,

tanto quanto a sua fome.

Com nenhuma palavra

ele sempre diz “me come”.

 

Seja obediente à ordem natural,

e coma a este necessário pão.

A necessidade de comer é fatal

assim como é a paixão.

 

Raphael Granucci Pequeno

 

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