h1

Oitava erótica

19 de agosto de 2012

Para alguns poetas

A poesia precisa de uma forma.

Versos decassílabos, heróicos, redondilhas…

A arte deles possui uma norma.

 

E é lindo ler um verso assim,

todo rimado e metrificado.

Mas a poesia é algo diferente para mim.

Tem muito mais cheiro e sentimento do que forma, sim.

 

E se existe uma forma,

as minhas parecem-se com pernas,

mãos, nucas, coxas e quadris.

O ritmo é o movimento pélvico que se alterna.

 

A rima tem que existir,

mas não mais do que um sincero gemido.

Tem que fazer meu leitor

querer dizê-la ao pé de um ouvido.

 

Minhas epopeias são tântricas,

meus haicais, rapidinhas.

Não importa a duração, o que importa

é a estrofe ser bem feitinha.

 

Nem sempre precisa ser pensada,

pode ser também apenas sentida.

Do que adianta escrever

se a poesia fica comedida?

 

Tem que ir além, ser diferente.

A liberdade faz o verso escandaloso.

E a poesia boa é para ser gritada

no momento do mais sincero gozo.

 

Raphael Granucci Pequeno

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: