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Um pedaço de um romance

16 de julho de 2012

Hoje escrevo despreocupado com a forma. Não me importo em fazer prosa ou poesia. Quero, acima de tudo, falar sobre o que carrego aqui, esse desejo que mal posso aguentar. Uma necessidade de ser transparente, para que o outro possa ver não por mim, mas ver o que trago e o quanto isso me pesa.

Quero me livrar de cobranças, de sensos, de morais, de regras. Não aguento segurar tudo isso quando tudo o que quero é ser e sentir.

Às vezes me acredito com sérios problemas por essa necessidade de sentir tudo de verdade, me levando a situações e momentos que mal posso suportar, tanto de alegria quanto tristeza.

Tenho vontade de dizer e, achando que não me fiz entender, conto e reconto o que sinto e o que passo. Mas tenho a sensação de que não foi o suficiente. Pareço falso e mentiroso quando tudo que faço é mostrar minha verdade.

Eu sinto demais. Eu quero demais. Preciso demais.

Não quero jogar a culpa em ninguém, mas foi me ofertado muito menos do que eu sentia que precisava. Entretanto, fiz do que eu poderia ter o melhor que eu poderia fazer, e hoje sou quem sou.

Mas esse vazio continua aqui.

E tenho medo de usar tantos “mas” para me descrever, ou descrever a esse sentimento, porém acho que é esta a palavra que me define. Mas. Nunca um inteiro. Muito intenso, mas nunca inteiro. Sempre feliz, mas triste. Amado, mas negligenciado. Acompanhado, mas sozinho.

De qualquer forma, o que eu realmente queria aqui era me mostrar nu, transparente, despido de qualquer imagem que algum dia eu tenha construído para proteger a minha verdade: Amo demais, sinto tudo de forma muito intensa e quando o que preciso não é suprido, também sofro demais. Mas penso tanto o quanto sinto, e minhas lágrimas me doem por serem a prova de que me sinto fraco demais para suportar uma situação. Não sei quem colocou isso na minha cabeça, ou em que ponto da minha vida eu aceitei que colocassem isso em mim.

E esse texto, inclassificável, não merecerá ser publicado. Não valerá a pena de ser lido. Talvez, ninguém o leia, assim como já me mostrei tantas vezes e tantos se recusaram a ver.

Sábado passado chorei ouvindo Mina. Mas também choro ouvindo Maria Bethânia (sinto-me Bethânia), Marisa Monte, Marina Lima.

Música me emociona. As Artes me emocionam. Eu me emociono ao sentir o trabalho do artista na minha frente, me tocando direta e sinceramente. Pois tudo que eu sempre desejei foi ser tocado direta e sinceramente por todos aqueles que amei. Um toque que durasse tanto quanto o amor eterno que eu tanto desejo.

Não quero mais chorar por amor, mas minha necessidade de viver apaixonado me faz chorar cada vez mais, enganando-me e confundindo-me sobre paixão e amor.

Quero a obra-prima. A beleza imperfeita me faz chorar. Eu sou capaz de ver a beleza nas imperfeições, nos espinhos. E tanto me interesso que os mesmos me agridem, me penetram e me fazem sangrar. Mas eu os amo. Eu os admiro e os quero comigo.

Eu não me importo em sofrer, desde que eu saiba que minhas lágrimas não secarão sozinhas.

Já não sei onde quero chegar.

Talvez seja hora de parar e buscar um ponto de chegada.

Talvez eu não deva nem publicar este texto, mas… O objetivo não era ser sincero?

 

Raphael Granucci Pequeno

 

One comment

  1. Simplesmente lindo esse texto.



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