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Inveja

23 de setembro de 2011

Nossa própria natureza por vezes nos dá motivo para sentirmos vergonha com aquilo que sentimos ou pensamos. Essa é a chamada por muitos de culpa cristã, já que os ideais do Cristianismo têm rondado nossa cultura que já é uma parte intrínseca dela.

Um dos sentimentos que não podemos assumir sentir, de acordo com os “bons costumes”, é a inveja. Porém não acredito que haja um ser apenas no Universo que não a sinta.

Napoleão dizia que a inveja era um atestado de incapacidade. Mas na terá sido a inveja sua motivação para tomar territórios alheios?

Etimologicamente, inveja vem do latim, invidere, que significava “não ver”, muito distante da conotação que possui hoje, muitas vezes ligada a cobiça e a soberba.

Tentando resgatar o sentido latino da palavra, seria algo como não conseguir enxergar um modo melhor, se é realmente necessário possuir aquilo ou ainda deixar de ver aquilo que já possui, para notar apenas os atributos alheios desejando-os.

Pensando em todos esses sentidos, a inveja se torna algo muito mais humano do que demoníaco, como classificam os pecados capitais, que na verdade também já foram deturpados, visto que recriminam apenas os vícios, e não suas práticas.

Mas porquê é tão comum assumir sua preguiça, sua ira, sua gula entre outros “pecados” e não a inveja?

Essa imagem de que devemos acreditar sermos os melhores e nos contentar com  isso, algo também nas raízes cristãs, dita que não devemos imaginar alguém a cima de nós, pois logo estaríamos também nos inferiorizando. Sendo questão de culpa cristã ou de orgulho, não acho nenhuma mais cabível do que assumir o que verdadeiramente se sente.

Principalmente porque, em certos casos, a inveja é motivadora e quando assumida, uma forma de homenagem ao ser invejado.

Assumo aqui minhas maiores invejas: Gostaria de ter escrito “Pensar é transgredir” de Lya Luft. Gostaria de ter dito tudo aquilo que Clarice Lispector disse. Gostaria de ter o prestígio de Machado de Assis e as vendas de Paulo Coelho. Sim, invejo essas pessoas. Coisa feia de ser dita? Por vezes a verdade é feia, mas assim como Luisinha de Memórias de Um Sargento de Milícias, isso não a faz menos encantadora.

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