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Confusões na mensagem.

26 de agosto de 2011

No inglês o termo “funny” pode ser equivalente aos nossos “estranho” ou “engraçado”. Se formos pensar bem, são palavras do mesmo campo semântico, porém nem sempre uma pode ser usada no lugar da outra.

Ia começar esse texto falando de quão engraçado era… Mas não estou rindo. Pelo contrário. Já cheguei inclusive a chorar! Então, confusão semântica à parte…

É estranho o rumo que um relacionamento, mesmo sem compromisso, pode tomar. Relacionamento aqui em qualquer âmbito, afetivo ou não. Mas no meu caso, é um pouco mais direto.

Conhecer uma pessoa, se apaixonar, passar momentos juntos… Essa ideia parece ser a imagem da perfeição, pois nesse momento não importa o que está acontecendo ao redor, você pode se considerar uma pessoa feliz.

Sendo essa imagem um “padrão” de felicidade, logo queremos encontrar um ser para fazer parte dessa nossa historinha. O problema é que nem todos estão aptos a participarem desse romance, e muitos outros tantos nem ao menos querem fazê-lo.

Ele diz: Eu gosto de estar com você. Você entende: Eu quero estar com você.

Já imaginou a confusão? Uma confusão que não acaba apenas em constrangimento, como quando você liga para um número errado, mas que pode trazer a dor da frustração.

Ele diz: Eu gosto de você. Você entende: Estou quase te amando. (Ou às vezes esse quase nem existe).

Existe alguém que podemos considerar o culpado por essa falha? Falha na mensagem, no canal, ou no receptor/ interpretação?

Já deveria vir de fábrica configurado que o recebimento de carinho não é prova de amor, e quando alguém supre nossas carências a pessoa está sendo apenas caridosa, e quando é recíproco, é apenas ajuda mútua e não nenhum contrato de amor ou qualquer outra coisa parecida.

Talvez seja algo que aprendemos com o cinema europeu, onde nada é o que parece e tudo quer sempre dizer algo a mais? O ser humano ainda é um animal, e grande parte de suas atitudes é tomada por instinto. Se pensássemos por 10 minutos antes de tomar qualquer atitude, não havendo o perigo de perder a oportunidade, faríamos menos burradas, sem dúvida. Mas como não há essa opção para quem quer aproveitar as oportunidades, tomamos um impulso que nos leva ao desconhecido até que notamos se tivemos a atitude certa ou errada. E então paramos, ou continuamos.

Então, peço desculpas por ter visto um contrato onde só me foi ofertado carinho por necessidades mútuas. Desculpa por ter idealizado algo de alguém que não estava disposto a me ofertar. Acredito que foi sincero, mas também sei que foi menos do que eu queria ter recebido, e duvido que tenha sido também menos do que poderia ter sido feito. Foi perfeito, mas acabou rápido demais. Deixou apenas o sabor, sem saciar a fome. Desculpa.

Por achar injusto em lhe transmitir a culpa, aceito-a toda pra mim, mesmo não concordando em certas partes, mas só assim liberto você de mim, e me liberto da espera de receber algo mais de você.

Para sentirmos a leveza da liberdade, às vezes precisamos do peso da culpa. E aceito em carregá-la agora, porque sei que o porvir será recompensador.

(texto também no blog http://rapidinhasp.wordpress.com )

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